Os escritórios do futuro

A mobilidade e a tecnologia têm transformado o ambiente de trabalho tradicional, levando-o cada vez mais para fora das paredes da empresa. Hoje, basta um notebook, uma rede wi-fi e um celular para que executivos façam de aeroportos, restaurantes, livrarias e da própria casa um escritório casual.

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Com isso, a jornada se dilui, mas também se amplia. Para a professora Elizabeth Johann, coordenadora do MBA em Gestão de Pessoas com ênfase em Estratégia da FGV, “a empresa parece existir a qualquer hora, em qualquer lugar, pronta para atender o cliente”. Ela alerta que esse novo ritmo de trabalho terá impacto evidente sobre os talentos humanos, apesar de não ser possível ainda avaliar a extensão por ser uma tendência recente.

Fato é que raros são os profissionais em funções estratégicas que ainda na atualidade podem se dedicar integralmente a atividades desenvolvidas em um único endereço institucional, em uma mesma sala. O que se verifica é que o dinamismo das corporações contemporâneas exige flexibilidade de agenda e disposição, pois a “rotina” semanal se divide em poucos dias no escritório principal e o restante do tempo em viagens, reuniões, visitas a filiais e videoconferências.

Outra realidade cada vez mais presente quando se fala de escritórios do futuro é trabalhar prioritariamente direto de casa. No Brasil, o home office (ou teletrabalho) ainda é limitado, inclusive por uma questão cultural, mas já alcançou em 2008 a marca de 10,6 milhões de home officers. No mundo, segundo levantamentos do Gartner Group, o teletrabalho já envolve 30% dos funcionários de oito em cada dez empresas de classe internacional.

A estratégia de alocar funcionários em casa não só otimiza o espaço físico e reduz os custos nas empresas, como também responde a uma estratégia para permitir que a equipe trabalhe no horário em que for mais produtivo e criativo, com a motivação extra de quem não tem que enfrentar congestionamentos e ainda poder conciliar outras atividades de interesse.

Mas a professora Elizabeth Johann ressalta que essa arquitetura organizacional exige novas competências e um nível alto de maturidade, além de autodisciplina, foco em resultados e habilidade em gerenciamento do tempo e comunicação. Ela completa dizendo do papel do chefe que vai lidar com equipes virtuais: “já se sabe que o novo perfil exigirá flexibilidade de estilos de comando, papéis de facilitação, capacidade de motivar pessoas à distância e uma boa dose de empatia para dividir o funcionário com sua família dentro de horários considerados ‘de trabalho’”.

Em uma linha paralela ao home office, verifica-se também o crescimento do coworking (ou trabalho colaborativo) – uma vez que grande parte das pessoas gosta de trabalhar de forma independente, mas não isolada em casa. Por isso os escritórios casuais são cada vez mais comuns: as pessoas pagam determinada taxa para poder usufruir de telefone, internet e salas multiuso, compartilhando o espaço com outros profissionais que se dedicam a diferentes projetos, autônomos ou de grandes empresas.

Hoje o modelo de coworking mais famoso mundialmente é o The Hub, criado em Londres e já presente em 16 cidades, incluindo São Paulo. Instalado no bairro Consolação, o The Hub tem um ambiente inspirador, descontraído e com uma infra-estrutura de escritório completa, que já foi utilizada para reuniões de instituições como Natura e ABN Amro Real, do grupo espanhol Santander. O fundador, Pablo Handl, define o espaço como uma “incubadora de inovação”, como um local onde é possível compartilhar ferramentas e ideias com pessoas diferentes.

Sejam os escritórios do futuro modelos como hubs, home offices ou mesmo ambientes com arquitetura criativa, como a Google, sempre haverá vantagens e desvantagens para cada formato. Mas uma tendência parece certa: os escritórios do futuro devem ser espaços mais fluidos e flexíveis, capazes de promover a integração e a comunicação, sem abrir mão da privacidade exigida em trabalhos de concentração. O que realmente importa é poder contar com um lugar que privilegie o bem estar, a criatividade, a inovação e produtividade efetiva.

Observação: matéria publicada originalmente da newsletter da IBS.

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