Para abrilhantar na entrevista

Para abrilhantar na entrevista

Data de publicação: 13/08/2015

Comunicar-se bem com diferentes públicos e em diversas situações é um atributo fundamental para o desenvolvimento profissional. O que parece óbvio para alguns, na verdade é apontado como o maior medo dos brasileiros, ficando à frente, inclusive, dos temores de doenças graves, morte e solidão. A dimensão exagerada de uma simples entrevista de emprego, conversa com os diretores da empresa ou uma reunião com clientes já é suficiente para causar nervosismo e, até mesmo, manifestações físicas de insegurança.

Mas é possível aprender a lidar com esse sentimento para transmitir as mensagens de forma adequada. E é esse o desafio para grande parte dos gestores e profissionais que desejam ter a comunicação como aliada para o crescimento empresarial.

 

O domínio da oratória vai muito além da boa eloquência. A performance de um bom comunicador une mente, emoção, físico e conteúdo. Juntos, os quatro elementos formam as diretrizes necessárias para que o interlocutor envolva o público e transmita as informações de maneira precisa. O bom orador é aquele que consegue convencer, de maneira sutil, sua equipe a “comprar” sua ideia, contagiando e norteando quais os pontos relevantes na conversa.

 

É interessante desmitificar o uso da oratória. Não se deve restringir tal função ao mestre de cerimônias ou porta-voz da empresa. Os gestores e membros da equipe devem estar atentos sobre como lidar com seus colegas de trabalho e, principalmente, como o grupo entende as mensagens repassadas. É justificável que alguns ruídos atrapalhem, ocasionalmente, a compreensão de determinadas notícias, mas, quando essa situação se torna recorrente, é necessária adaptação.

 

Um estudo realizado pela Universidade da Califór-nia revelou que apenas 7% do impacto provocado no público vêm da parte verbal da apresentação. Os maiores impulsos são gerados pela voz (38%) e pela linguagem corporal (55%). Iniciar uma reunião, ainda que informal, de braços cruzados, por exemplo, demonstra resistência. Sentar-se de maneira despojada pode indicar desinteresse. Até mesmo, manter as palmas das mãos ao alcance dos olhos dos ouvintes é fator motivador para interação com seus interlocutores, gesto interpretado como um sinal de clareza e aceitação a novas opiniões. A voz deve ser modulada, de acordo com o que se pretende causar no público: na hora de destacar um dado interessante, é mais assertivo pronunciá-lo pausadamente e em um tom neutro, em vez de gritar.

 

Outros fatores importantes são os aspectos psicológicos. Estar seguro das informações repassadas e ter autoconfiança para transmiti-las da forma adequada são questões fundamentais em uma apresentação. Se um pedido de aumento de salário se torna motivo de nervosismo, vale anotar os pontos fortes do trabalho realizado e enumerar as razões para o reajuste. Da mesma forma deve ser encarada a entrevista pessoal de emprego: ouça com cuidado, certifique-se de que compreendeu o que lhe foi perguntado e concentre-se na resposta, pois é ela que lhe ajudará a conquistar a vaga. Ensaiar em frente ao espelho e ter sempre um ponto de apoio visual facilita a organização das ideias na mente. As conversas cotidianas são o momento ideal para praticar as técnicas verbais e físicas.

 

O principal passo é entender que a mudança na oratória começa de forma individual. Ninguém é responsável pelo que os outros entendem, mas é zelador das informações que produz e propaga, inclusive, empresarialmente.

 

Eder Dinan é Professor de Oratória e Desinibição da FGV/Faculdade IBS

 

Publicado no Hoje em Dia