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Em destaqueDinheiro é consequência

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Quando eu era criança, muita gente me perguntava “O que você vai ser quando crescer?”, mas nunca me perguntaram “O que você mais gosta de fazer?”. E ai de mim se dissesse que queria ser escritora, professora e apresentadora de TV. Já logo alguém rebatia: “Ela não sabe o que quer ainda, mas vai ter tempo para escolher”. Escolher? Que palavra mais cruel, principalmente quando você tem 16 anos e precisa decidir pelo resto da sua vida a profissão que vai abraçar.

 

Felizmente eu sabia o que mais gostava de fazer, e desde criança tive um ambiente que me possibilitou criar, imaginar, brincar e de fato testar o que fazia a minha alma feliz e os meus olhos brilharem. Eu amava brincar de escolinha, desde que eu fosse a professora. Eu adorava brincar de TV, e minha mãe me ajudava com uma filmadora jurássica daquelas que o vídeo ficava pendurado do lado de fora. Ela me dirigia. Eu já gostava de escrever, e desde pequena fui estimulada para isso. E ainda que aos 17 anos eu tenha vacilado na hora de marcar o X na profissão de jornalista que escolhi, meu coração sabia exatamente o que eu mais gostava de fazer. Mas sei que sou uma privilegiada sob muitos aspectos, e só agradeço ao Criador por isso. Pertenço a uma classe de pessoas felizes que podem viver, amar e depender financeiramente do trabalho e da profissão que escolheram exercer.

 

Os tempos mudaram, e as gerações Y e Z já crescem menos sufocadas, num ambiente diferente de escolhas, normas, sociedade e cobranças. Mais responsabilidade talvez, mais liberdade também, mais comunicação, mobilidade, conectividade, e talvez um pouco menos de maleabilidade e tolerância. E isso me faz lembrar no que já dizia Peter Drucker, que foi o pai da Administração, quando escreveu o livro Sociedade para o Século XXI, na década de 50, e enfatizou que as gerações vindouras seriam muito mais terceirizadas, empreendedoras, questionadoras e “realizadas”. Quanta visão ele teve de um mundo que ainda não dava nem indícios comportamentais de mudanças que seriam tão radicais a ponto de sinalizar um novo recomeço, uma nova sociedade para um novo mundo capitalista.

Uma pesquisa de Srully Blotnick divulgada em Getting Rich Your Own Way, em 1982, acompanhou durante vinte anos 1.500 pessoas que estavam em início de carreira e as dividiu em dois grupos separados e com perfis diferentes. O grupo A, detentor de 83% da amostragem, era composto por pessoas que estavam iniciando uma carreira com o objetivo de gerar dinheiro agora para fazer o que gostam depois. Aquele clássico “garantir a aposentadoria”. Já o grupo B, apenas 17% da amostragem, tinha como perfil pessoas que escolheram a carreira baseadas no que queriam fazer agora e se preocupariam com o dinheiro depois. Ou seja, “vou fazer o que gosto agora e depois eu penso no meu futuro”.

 

Ao final dos vinte anos propostos, veio a descoberta alarmante: 101 pessoas das 1.500 acompanhadas pela pesquisa haviam se tornado milionárias. Dentre os milionários, todos exceto 1 – 100 dos 101 , pertenciam ao grupo B, o grupo que escolhera se dedicar ao que amava. Qual a conclusão que podemos tirar? Certamente a de que o dinheiro é sim consequência de um trabalho bem feito.

 

Não estou querendo dizer com isso que você deve abandonar tudo agora e dedicar toda a sua energia só para aquilo que você mais gosta de fazer. O que eu quero dizer é que existe sim, uma relação entre amor ao que se faz e bons resultados financeiros. Ou seja, dificilmente alguém fica rico fazendo algo que não suporta. O fato é que quando fazemos o que realmente amamos, temos uma vantagem competitiva quase desleal em relação aos outros profissionais, porque podemos aumentar nossa performance geral, fazendo as coisas com mais velocidade, sem comprometer a qualidade.

 

Alessandra Assad, professora do MBA em Gestão Comercial da FGV/Faculdade IBS


Este artigo foi publicado na edição de terça-feira, 11/08, do jornal Gazetas Norte Mineira e está sendo enviado aos alunos e ex-alunos de MBA da Unidade Montes Claros.

 



 
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